Um Jesus
Histórico ou um Cristo Cósmico?
Cláudio Fajardo
fajardo1960@yahho.com.br
http://www.panoramaespirita.com.br/artigos/artigos_04/um_jesus_historico_cristo_cosmico.html
O Dr. Augusto Cury inicia o
prefácio de seu livro O Mestre do Amor dizendo assim:
Nunca nenhum homem foi capaz de abalar tanto os alicerces mais sólidos das ciências
e das instituições humanas como Jesus Cristo. Seus discursos chocam os
conceitos fundamentais da medicina, psiquiatria, física, sociologia.
Emmanuel, no livro Caminho, Verdade e Vida, afirma:
Ninguém reuniu sobre a Terra tão elevadas expressões de recursos desconhecidos
quanto Jesus.
Alguns historiadores no que eles chamam de “em busca do Jesus Histórico” têm
lançado a seguinte pergunta, existiu um Jesus histórico? Ao que eles mesmo têm
respondido, “se pensarmos em um judeu que viveu há 2000 anos, disse ser o
Messias, foi carpinteiro, filho de Maria e de José… A resposta é sim, existiu
um Jesus histórico. Porém, aquele Jesus contido nas narrativas do Evangelho
atribuído a João, e nas epístolas de Paulo, a resposta é não, este é um mito
criado pela igreja, do qual não podemos dar notícias...”
Aqui inicia a grande discussão, por que alguns autores espiritualistas
conseguem ver em Jesus um personagem histórico e ao mesmo tempo um ser capaz de
realizar feitos maravilhosos, e outros não conseguem compreender o que o Homem
de Nazaré fez e por isso negam?
Estaria na fé esta resposta, e por isso não acessível àqueles que Jesus
denominou homens de pequena fé? Aliás, é preciso compreender o que seja fé,
pois até mesmo teólogos e profitentes de diversas religiões têm se confundido
nesta pesquisa sobre o Jesus da história e têm mostrado não compreender o que
realmente aconteceu com o filho de José e Maria.
Segundo Huberto Rohden:
…a palavra “fé” (fides, em latim) aparece como pistis, cujo verbo é “pisteuein”.
Infelizmente, não existe em latim um verbo derivado do substantivo fides , e
assim, os tradutores latinos se viram obrigados a recorrer a um verbo de outro
radical para designar o ato de “ter fé”. Este verbo latino é credere, que em
portugues deu “crer”.
Mas os sentido de “crer” não coincide com o de “ter fé”. “Crer” designa algo
vago, incerto, nebuloso, ao passo que ter fé, fides, é ter fidelidade, estar
harmonizado, sintonizado. Pisteuein, ter fé, designa um estado de alta
fidelidade ou harmonização entre a alma humana e o espírito de Deus – que é a
idéia do ajustamento.
Portanto, fé não é uma simples crença religiosa, mas uma proposta de adesão.
Hoje já não se aceita uma fé cega desprovida de uma verificação racional, mesmo
que esta leve a verdades compatíveis com a análise racional. A intuição pode
nos levar direto à meta, porém ainda se faz necessário apontar o caminho por
onde se chegou lá.
Esta tem sido a grande dificuldade de conciliar o Jesus histórico com o Cristo
dos Evangelhos.
Como fazer então? Por onde começar?
Em primeiro lugar é preciso colocar que uma personalidade tão grandiosa quanto
a de Jesus, por que não dizer tão rara, não pode ser analisada sob a ótica de
uma ciência materialista. Jesus fez-se homem, vestiu um corpo adequado ao nosso
planeta, teve família, viveu momentos comuns a qualquer judeu de seu tempo,
porém não foi um homem comum no que diz respeito a uma mentalidade da época.
Jesus tinha uma psicologia ainda inabordável por qualquer um de nós, o Mestre
de Nazaré, mesmo com os recursos atuais da ciência e da tecnologia ainda é um
grande desconhecido.
E para provar o que falamos, basta analisar a ética que lançou através de suas
palavras e ações. Jesus esteve sempre na vanguarda, ensinou uma ética há dois
mil anos atrás que ainda hoje não é compreendida, e muito menos vivenciada.
Especialistas já analisaram os textos dos Evangelhos e já chegaram à conclusão
de que os ditos do Sermão do Monte são verdadeiros e originados de Jesus. O
Sermão do Monte é o código moral mais elevado que se tem notícia,e como
dissemos, ainda não foi vivido pela humanidade de nosso orbe dois milênios
depois. Como então podemos julgar que o seu autor, é uma mente comum do
judaísmo do princípio de nossa era?
Mesmo se não levarmos em conta os princípios religiosos vigentes, podemos
afirmar com segurança, Jesus não pode ser analisado como um homem comum, nem
pode ser visto sob a ótica de uma ciência ainda materialista. Desculpe a
repetição, mas ela ainda se faz necessária.
Olhe que só dissemos da ética por ele lançada; e suas curas que ainda não foram
assimiladas por nossa tão avançada medicina? E seu modelo educacional? E sua
psicologia superior? (...)
É mais fácil negar suas curas simplesmente por que não as entendemos, por isso
muitos julgam que não passam de interpolação nos textos do Evangelho, todavia
hoje muitos seres moralmente bem inferiores a Jesus realizam curas maravilhosas
em frente a câmeras de Tvs, para quem quiser ver, e a nossa ciência orgulhosa
ainda não se dispõe a pesquisa-las como se deve.
Culpa daqueles que realizam tais fatos e que podem ser comprovados, ou culpa de
uma ciência que muito ainda tem a evoluir em seus conceitos e pré-conceitos?
Voltemos ao ponto essencial de nosso texto, como então conciliar essas duas
verdades?
Jesus foi sim um personagem histórico, que nasceu, viveu,e morreu aqui na
Terra, porém foi também um Cristo Cósmico que já vivia antes de aqui vir,
renasceu, ainda vive hoje, e viverá, pois a essência espiritual não morre
nunca.
O Evangelho segundo João é muito contestado pelos analistas críticos dos textos
bíblicos por ser ainda incompreensível para muitos. Por ter sido ele usado para
confirmar os dogmas e tradições da igreja, acham estes críticos que ele é pura
falsidade tendo sido escrito com o objetivo de fazer do Cristo um mito a ser
adorado pelos cultores de uma fé cega.
Não podemos negar que este texto foi mesmo utilizado para fazer afirmativas
falsas como a divindade de Jesus e outras, porém isto teve sua função
histórica, e hoje já não podemos nega-lo só porque foi mal utilizado. Quantos
ditadores já usaram a palavra liberdade para promover maior poder próprio e
assim melhor tiranizar e reinar um povo ignorante? Todavia, não podemos com
isso dizer que a liberdade é um mal, e que não deve ser por nós conquistada. A
questão é de amadurecimento.
O Evangelho de João faz várias afirmativas sobre Jesus que neste singelo texto
não convém abordar pela exigüidade do mesmo. Porém, é importante levar em conta
algumas anotações nele contidas.
Diz o texto:
No princípio era o Logos, e o Logos estava em Deus, e o Logos era Deus.
Logos é uma palavra grega, e muito anterior à nossa era. Os filósofos gregos
diziam tratar-se do espírito de Deus manifestado no Universo, ou seja, seria a
imanência de Deus, ou o Deus imanente na Criação.
Nos primeiros movimentos do livro Gênesis, atribuído a Moisés, diz que:
No princípio Elohims criava os céus e a terra.
Na Bíblia, Elohims, que é um dos nomes de Deus contidos neste conjunto de
livros, é, por vezes, o sujeito de um verbo usado no plural, desta forma
significam as potências criadoras, ou conforme André Luiz, os Espíritos
Co-criadores num plano maior . Os Elohims é que manipulando o Fluido Cósmico
Universal, que segundo este mesmo autor espiritual é o Hausto Corpuscular do
Criador , são os construtores de sóis planetas, galáxias etc. Ao contrário de
IHVH que é o Deus Transcendente e assim inacessível a nós, que segundo os
Espíritos codificadores do Espiritismo, não exerce ação direta sobre a matéria,
tendo para isso agentes dedicados [Elohims] em todos os graus da escala dos
mundos. (O acréscimo entre chaves é de nossa autoria).
Voltando ao texto do Evangelho segundo João, no versículo 14 temos:
O Logos se fez carne. Habitou ente nós, vimos a sua densidade… [peso, substância,
também podem ser estas as traduções do grego doxa, do hebraico kabod].
Aqui o Logos que é outro significado que podemos segundo a nossa interpretação
dar para Cristo, se fez carne através da encarnação de Jesus em nosso orbe.
Deste modo, é preciso distinguir o Jesus personagem da história, do que seja
Cristo; porém, por Jesus ter se tornado um Espírito Puro segundo a
classificação Kardequiana, Ele tornou-se um Cristo, o Cristo do planeta Terra.
Esta afirmativa é confirmada por Emmanuel, Leon Denis, Joanna de Ângelis entre
outros, pois eles afirmam claramente que Jesus é o Espírito que está na direção
espiritual de nosso orbe.
Compreendido isto, podemos entender as palavras do Mestre, sem diviniza-lo,
quando Ele orando após a passagem do Cenáculo diz:
E agora, glorifica-me, Pai, junto a ti, com a glória que eu tinha junto a ti
antes que o universo existisse.
É que antes do universo material existir já existiam os Espíritos ou Elohims
que manipulando a substância primária construíram o que chamamos de mundos
materiais. É o que podemos depreender da análise da questão 85 de O Livro dos
Espíritos.
Desta forma fica impossível hoje responder a pergunta feita pelo próprio Jesus:
E vós, quem dizeis que eu sou? Sem levar em conta sua condição espiritual.
Jesus foi um personagem histórico sim, e não um mito; e dizemos mais, é
possível conciliar este personagem filho de José e de Maria, que provavelmente
teve outros irmãos, que foi um judeu que viveu no primeiro século de nossa era,
com o Cristo apresentado por João e por Paulo, basta para isso abrirmos a nossa
mente, interpretar os textos à luz da imortalidade da alma, da reencarnação e
da lei de evolução.
Muitos poderão não gostar do que aqui escrevemos dizendo que para falar do
Jesus histórico, e para uma real pesquisa sobre o assunto, não podemos levar em
conta a fé, ou questões religiosas. De nossa parte dizemos que se não pudermos
usar os argumentos aqui expostos, o assunto fica incompleto pois o próprio
Jesus era espiritualista e não abria mão de ser. O tema básico do querigma é o
Reino de Deus. Não levar em conta o conteúdo da mensagem disseminada pelo Rabi
Galileu quando da análise de sua personalidade seria o mesmo que analisar
historicamente Napoleão ou Hitler sem levar em conta a sede que tinham pelo
poder.
Ademais, para que possamos debater com clareza assuntos que dizem respeito a
Jesus em sua completude, é preciso como aponta Kardec no capitulo I de O Livro
dos Médiuns perguntar ao nosso interlocutor:
Credes em Deus?
Credes que tendes uma alma?
Credes na sobrevivência da alma após a morte?
Se a estas questões responder negativamente, ou, mesmo, se disser simplesmente:
Não sei; desejara que assim fosse, mas não tenho a certeza disso, o que, quase
sempre, equivale a uma negação polida, disfarçada sob uma forma menos
categórica, para não chocar bruscamente o a que ele chama preconceitos
respeitáveis, tão inútil seria ir além, como querer demonstrar as propriedades
da luz a um cego que não admitisse a existência da luz...
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Com esta mensagem eletrônica
seguem muitas vibrações de paz e amor
para você
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